A GRANDE MATRIARCA

Quem passa na movimentada Rua Dona Viridiana, em São Paulo, não sabe quem foi a mulher a merecer ser nome de rua em local tão nobre. Ela morou no palacete que hoje é a sede do Iate Clube de Santos e que abrigou o São Paulo Clube, fundado pelo banqueiro Gastão Vidigal, que ali almoçava com amigos todos os dias. Nesta casa, recebeu o Imperador Pedro II e a Princesa Isabel. E o seu filho Antonico, em outro palacete, recepcionou o Rei da Bélgica em visita a São Paulo.

Viridiana foi contemporânea da Rainha Victoria, da Inglaterra, e pode ser comparada à monarca pela personalidade, no domínio sobre a família, na arte de promover grandes alianças e manter unida uma das grandes fortunas da época. Seu pai foi um Barão do Império.

Para não dividir a fortuna da família, Viridiana foi casada com um parente. E ainda conseguiu que alguns de seus filhos e filhas fizessem o mesmo.

Como mulher de visão política e empresarial, teve nos filhos – e até sobrinhos – personalidades marcantes e que também estão bem situados na nomenclatura das ruas da capital paulista. Ela deu ao país dois prefeitos, entre seus filhos. Antonio da Silva Prado foi o primeiro prefeito de São Paulo e seu filho conhecido por Prado Junior veio a ser prefeito do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Tinha o apelido de Antonico e foi ministro do Império mais de uma vez, senador, deputado e fazendeiro.

Outro filho, Eduardo Prado, destacou-se como intelectual e fundador da Academia Brasileira de Letras. Dividia seu tempo entre a propriedade em Campinas e um apartamento em Paris, onde recebia intelectuais, entre os quais seu amigo Eça de Queiroz. Mas Eduardo morreu, aos 41 anos, de febre amarela, contraída numa viagem ao Rio de Janeiro.

A família, com base na agricultura, veio a ser notável na indústria. Chegou a controlar empresas da importância da Vidraria Santa Marina, Cristais Prado e da Companhia Paulista de Estrada de Ferro.

Como tinha forte personalidade, Viridiana teve a coragem de se separar do marido muito mais velho e ficar na capital. Tinha empregados de diversas origens – um índio e dois afrodescendentes, sendo que um deles era uma pianista que só falava com ela em francês, conforme lenda que a envolve.

O nome Almeida Prado, assim como os parentes Penteado, Pacheco e Chaves, fazia parte do grupo chamado de quatrocentões. Deste, aliás, também figuravam os Arruda Botelho- Conde do Pinhal- , Queirós, Sousa Aranha,Rodrigues Alves, Vidigal e Mesquita, entre outros.

You might also like More from author

Leave A Reply

Your email address will not be published.